quinta-feira, 6 de março de 2025

MARX INTRODUÇÃO, CAP. 2

2. Mercadoria e capital


A interdição da Gazeta Renana pelo governo da Prússia privou Marx de seu meio de atuação e fez dele persona non grata na Alemanha. Forçado a emigrar, Marx foi para a França, onde tentou retomar a atividade de jornalista e aprofundou os estudos sobre o capitalismo. Nessa época, iniciou-se na leitura dos principais autores da economia política inglesa, como Adam Smith (1723-1790), James Mill (1773-1836) e David Ricardo (1772-1823). A militância política obrigou-o a abandonar também a França e, em seguida, a Bélgica, onde havia encontrado refúgio e tempo para escrever obras como Miséria da filosofia e o Manifesto Comunista. Enfim, em 1849, conseguiu asilo político na Inglaterra, onde passou o resto da vida. Lá, teve a oportunidade de ler a obra dos economistas no original e de frequentar os arquivos do Museu Britânico, imprescindível para a gigantesca pesquisa que lhe permitiu redigir O capital, inicialmente intitulado de Crítica da economia política.


Com paciência, Marx leu e releu várias vezes não apenas os livros dos economistas clássicos, mas também brochuras de autores hoje esquecidos e panfletos de anônimos. O trabalho foi imenso, demandou muitos anos e precisou ser reelaborado várias vezes. Depois de uma fase inicial de estudo, na qual foi necessário aprofundar e detalhar o que havia escrito sobre o assunto na década de 1840, Marx reuniu o material num longo e novo manuscrito do qual pensava extrair os volumes que comporiam a versão final de sua obra. Por fim, extraiu apenas um, que correspondia ao primeiro capítulo do manuscrito, e publicou-o em 1859 com o título de Para a crítica da economia política. O restante do texto foi publicado apenas no século XX. Esse manuscrito serviu de base para uma segunda versão da obra, redigida entre 1861 e 1863, e para a terceira e última, redigida a partir de 1863. Foi essa última versão que resultou no primeiro livro de O capital, publicado em 1867, com reedição em 1873, e nos textos aproveitados por Engels na edição do segundo e terceiro livros de O capital, em 1885 e 1894, respectivamente.


Uma das dificuldades principais de Marx nesse longo trabalho de redação foi a de encontrar o modo adequado de apresentação dos conceitos, que devia ser simultaneamente crítico e compreensivo. Por fim, a solução foi começar por uma análise da forma social de mercadoria, não porque a mercadoria seja a forma histórica mais antiga do capitalismo, e sim porque ela é sua forma mais simples, constituída apenas por uma oposição interna, como se verá a seguir. A mercadoria também é a forma pela qual o sistema se generaliza e se expande, destinando ao mercado todos os produtos do trabalho, uma vez que a fonte criadora desses produtos, a força de trabalho, assume igualmente a forma de mercadoria. Marx percebeu que a apresentação das várias formas sociais por meio das quais se articula o sistema deve partir desse elemento mais geral. Assim, o modo de apresentação reproduziria o encadeamento real que existe entre essas formas, e que se torna cada vez mais complexo e mais particularizado em suas ramificações.


De início, Marx define mercadoria como a forma social específica de que se reveste o produto do trabalho, quando não serve ao consumo do próprio produtor ou a trocas apenas eventuais, e quando já é produzido para o mercado. Historicamente, a mercadoria existiu em várias sociedades anteriores à sociedade capitalista atual, mas se generalizou somente a partir da predominância do trabalho assalariado sobre as outras formas de produzir. Sob essa forma, a força de trabalho é uma mercadoria tanto quanto seus produtos. Isso coloca o trabalho na posição de elemento de comparação de coisas com qualidades distintas, pois passa a constituir a qualidade comum que existe em tudo o que é dirigido ao mercado: o valor.


O fundamento do valor não é a imensa gama de qualidades que diferenciam as mercadorias conforme sua utilidade, chamada por Marx de valor de uso. Isso porque a utilidade das mercadorias é tão variável que não pode fornecer base para uma comparação geral, isto é, uma comparação de todas as mercadorias possíveis e de todas as necessidades e desejos das pessoas que participam dos processos de troca. Na prática, a troca ocorre porque as diversas qualidades são postas de lado em favor de uma única qualidade, presente em qualquer mercadoria, e que varia, portanto, apenas em quantidade: ser produto do trabalho humano.


Marx enfatiza a importância dessa abstração para o ato de troca, pois ela permite que qualquer mercadoria possa ser avaliada em função da quantidade maior ou menor da única qualidade que compartilha com as demais e, assim, possa ser trocada por outra mercadoria em uma proporção determinada. Se fossem tomadas duas qualidades distintas, como as de dois valores de uso, não seria possível avaliar apenas a diferença quantitativa. Marx conclui que, como a única qualidade comum a todas as mercadorias é a de ser produto de trabalho humano, é o trabalho que cria o valor. Contudo, o trabalho não cria valor como simples qualidade física, simples dispêndio de energia física e mental. Esse dispêndio é decisivo, mas apenas como uma referência tangível para um conjunto historicamente específico de relações sociais. Embora o gasto de energia no trabalho possa ser medido em qualquer tipo de sociedade, ele só tem significado em uma sociedade na qual ocorrem trocas e que, por isso, necessita de um substrato palpável para estabelecê-las. Antes de tudo, o valor tem uma realidade social e determinada.


Esse é o sentido da distinção de Marx entre a dimensão concreta do trabalho, baseada na particularidade de seus materiais e operações, e a dimensão que ele chama de ­abstrata, baseada na força física e mental despendida em graus distintos por qualquer trabalhador. Na primeira dimensão, o trabalho é concreto ou útil porque produz valores de uso, isto é, qualidades que conferem ao produto uma utilidade específica. Na segunda dimensão, o trabalho é abstrato porque resulta da abstração de qualquer particularidade conferida pelos instrumentos que emprega, pela finalidade ou pelo material utilizado; consiste na pura energia gasta pelo trabalhador em uma unidade de tempo, por exemplo, uma hora, um dia ou um mês. Essa dimensão abstrata do trabalho fundamenta o valor e permite a troca de mercadorias.


Com razão, Marx afirmou ter sido o primeiro a distinguir essas duas dimensões decisivas do trabalho. Embora os conceitos de valor e valor de uso tenham sido formulados por Adam Smith e David Ricardo, nenhum deles havia sido capaz de perceber que o trabalho por si só não pode estar na base das trocas, que é preciso ir além e compreender sua dimensão abstrata. Ao constatar o problema e buscar uma solução, Marx descobriu o processo real embutido no trabalho abstrato a partir das trocas reiteradas e, assim, pôde distinguir na mercadoria a dupla dimensão de valor e valor de uso. Não se trata, porém, de uma abstração feita pelo investigador do processo, mas pelo próprio processo. Nas palavras de Marx:


essa cisão do produto do trabalho em coisa útil e coisa de valor só se realiza na prática quando a troca já conquistou um alcance e uma importância suficientes para que se produzam coisas úteis destinadas à troca e, portanto, o caráter de valor das coisas passou a ser considerado no próprio ato de sua produção.


Um produto que não seja destinado à troca possui somente valor de uso; aquele destinado à troca, por sua vez, reveste-se de valor, de modo que nele convivem as duas determinações: valor de uso e valor. Marx deduz essa dupla determinação da mercadoria a partir da dupla dimensão do trabalho e, com isso, reconstitui o processo de compra e venda a partir da análise da troca simples de uma mercadoria por outra, o escambo.


Marx propõe-se ainda a deduzir a forma social do dinheiro (usado como meio de transação e como meio de pagamento) a partir da forma social da mercadoria, superando a limitação da economia política, que considerava o dinheiro um artifício técnico criado por mera convenção social para facilitar as trocas.


Resumindo bastante a dedução de Marx, quando confrontadas em uma situação de troca simples, as duas mercadorias trocadas exercem papel diferente: a primeira é a mercadoria que será transferida para outra pessoa e que expressa seu valor na outra mercadoria, enquanto a segunda mercadoria apenas expressa o valor da primeira; assim, o valor da segunda mercadoria funciona como equivalente ao da primeira. São duas formas de expressão do valor na troca direta entre mercadorias, formas que Marx chama de relativa e equivalente. Embora todas as mercadorias possam exercer essas funções e assumir ambas as formas de acordo com sua posição, a prática repetida das trocas leva à situação na qual uma delas é destacada das demais para servir de equivalente geral. É uma mercadoria idêntica às outras, mas também é uma mercadoria especial porque cumpre o papel de expressar o valor das outras, sendo seu equivalente único e geral. Essa mercadoria especial é o dinheiro.


A dedução do dinheiro permite a Marx explicitar seu caráter eminentemente social. Mais do que as outras mercadorias, o dinheiro expressa o poder da sociedade mercantil de articular trocas nas quais ele está sempre presente como meio de transação ou de pagamento. Apenas por intermédio do dinheiro os diferentes produtores podem comprar aquilo que outros produziram, depois de eles mesmos terem vendido suas próprias mercadorias. No entanto, Marx explicita também o fato de que o poder estratégico do dinheiro não decorre de qualquer qualidade intrínseca do objeto usado como dinheiro, por exemplo, ouro, prata ou papel-moeda. Ele decorre da delegação feita a ele por todas as demais mercadorias para representar o valor nelas incorporado. O dinheiro é o equivalente geral porque as outras mercadorias projetam nele seu valor e se apresentam como se fossem simples valores de uso, como se o dinheiro, desse modo, é que lhes atribuísse um valor.


Marx começa assim sua crítica da economia política, proposta já nos termos gerais da forma mais simples da sociabilidade mercantil: os produtores são proprietários privados de seus meios de produção e se relacionam pela troca das mercadorias que produziram. Embora sejam independentes uns dos outros na realização de seu trabalho específico, esses produtores são dependentes uns dos outros na esfera do consumo e, portanto, da circulação das mercadorias. Precisam vender a mercadoria que produziram para comprar as outras de que necessitam para sua manutenção e sobrevivência. Por isso, a independência na esfera da produção é contrariada pela dependência na esfera da circulação e do consumo, mas determinada por ela: quanto mais especializados forem os produtores, mais independentes eles se tornam na esfera da produção; contudo, como a especialização os leva a deixar de produzir parte do que até então produziam, eles tornam-se mais dependentes na esfera da circulação e do consumo.


Essa independência e dependência mútuas correspondem à figura dialética da oposição, na qual os termos opostos se separam e se diferenciam, mas, num segundo momento, por causa de sua diferença, determinam-se e ­relacionam-se novamente. A independência na esfera da produção cria, em vez de anular, a dependência na esfera da circulação e do consumo, e vice-versa. A partir da oposição entre a dimensão abstrata do trabalho, que permite a troca, e a dimensão concreta do trabalho, que cria os valores de uso produzidos, também os elementos derivados dela, como o valor e o valor de uso, a forma equivalente e a forma relativa, o dinheiro e a mercadoria, configuram-se como pares opostos.


Contudo, as oposições que constituem a forma simples da mercadoria tornam-se bem mais complexas conforme Marx avança em sua crítica da economia política. Ainda na forma simples, por exemplo, o objetivo dos produtores é vender sua mercadoria para comprar aquelas produzidas pelos outros, isto é, sua finalidade é vender para comprar. Nessa forma simples, o dinheiro é definido como o mero intermediário das trocas, permitindo o acesso geral aos bens de consumo. Na forma mais complexa, ocorrem mudanças sociais importantes, que alteram o sentido da produção e o uso do dinheiro.


Para começar, quando os produtores perdem a propriedade dos meios de produção e se tornam trabalhadores empregados pelos proprietários desses meios, sua remuneração assume a forma de salário em dinheiro. O dinheiro ainda é o intermediário das vendas e compras, mas agora ele realiza o pagamento de uma mercadoria muito especial, a força de trabalho, vendida por um tipo singular de vendedor, o assalariado, e comprada por um tipo singular de comprador, o patrão. Com o salário obtido pela venda de sua força de trabalho, o empregado pode comprar as mercadorias de que precisa para sobreviver e continuar trabalhando. A forma simples da sociabilidade descrita antes por Marx aparentemente se mantém.


De fato, a relação entre os capitalistas e os trabalhadores apresenta-se, antes de tudo, na esfera da compra e venda de mercadorias. Nessa esfera, o dinheiro do salário corresponde ao valor da força de trabalho, como ocorre com qualquer outra mercadoria. Ainda reina a equivalência das trocas, a igualdade entre capitalistas e trabalhadores, a isonomia jurídica entre as partes que celebram um contrato. No entanto, na realização desse contrato, isto é, quando o trabalhador começa a trabalhar para o capitalista, aparece a desigualdade que existe entre eles no plano social. O assalariado trabalha utilizando matérias-primas e instrumentos que pertencem ao capitalista. Por isso, não é a ele, mas ao capitalista que pertencerá o produto e o dinheiro de sua comercialização. Ao assalariado caberá apenas o salário. É nessa desigualdade que Marx detecta o surgimento do excedente de valor que explica a lógica do capitalismo.


O valor correspondente às mercadorias que a força de trabalho deve consumir para repor seu dispêndio de energia físico-mental e, assim, continuar trabalhando e gerando filhos que trabalharão no futuro – esse valor, que se expressa no salário, é totalmente distinto do valor das mercadorias que o trabalhador produz para o capitalista vender. A força de trabalho e seu produto são duas coisas diferentes e, assim, seu valor também é diferente. Se o valor do produto for maior que o da força de trabalho, por exemplo, a diferença entre eles representa um ganho para o capitalista, chamada por Marx de “mais-valor”; se for menor, o capitalista tem prejuízo, não contratará mão de obra e não produzirá.


Na prática da produção capitalista, o cálculo dessa diferença entre os dois valores ocorre em uma unidade de tempo, por exemplo, uma jornada de trabalho. É fácil verificar que, depois de algumas horas, os trabalhadores produzem uma quantidade de mercadorias cujo valor, se elas já fossem vendidas pelo capitalista, cobriria o pagamento dos salários. Essa é a parcela que Marx chama de “trabalho pago”. No entanto, os trabalhadores trabalham para o capitalista e não para si mesmos. No contrato proposto pelo capitalista, eles devem trabalhar por uma jornada mais longa do que aquela suficiente para criar o equivalente aos seus salários. O valor que eles produzem nessa segunda etapa é o que corresponde ao mais-valor ou, como diz Marx, ao “trabalho não pago”.


Embora surja da exploração da força de trabalho, o mais-valor não implica necessariamente que os trabalhadores sejam sub-remunerados em sentido estrito. Nas palavras de Marx, “a circunstância na qual a manutenção diária da força de trabalho custa apenas meia jornada de trabalho, embora a força de trabalho possa atuar por uma jornada inteira [...] é, certamente, uma grande vantagem para o comprador, mas de modo algum uma injustiça para com o vendedor”.


Marx considera a diferença entre o valor da força de trabalho e o valor de seu produto durante a jornada inteira como uma “circunstância”, uma “vantagem” para o capitalista. Isso quer dizer que o capitalista individual não precisa criar a situação de exploração, pois ela já é criada para ele pelo sistema de produção do capital. Assim, o mais-valor não decorre de uma atitude imoral pessoal do capitalista ou de uma “injustiça” contra o trabalhador. Essa questão importante merece ser um pouco mais comentada.


Certamente, uma vez que está assentado sobre a diferença entre “trabalho pago” e “trabalho não pago”, o sistema capitalista dá oportunidade a empregadores gananciosos de pagarem a seus trabalhadores um salário efetivo inferior àquele necessário para a manutenção da força de trabalho. O sistema enseja essas e outras práticas imorais do ponto de vista individual. Contudo, mesmo se tais práticas não existissem, mesmo se todos os capitalistas fossem perfeitamente éticos, ainda assim ocorreria a extração de mais-valor. Marx enfatiza esse ponto para deixar claro que uma simples reforma moral dos indivíduos não alteraria substancialmente o capitalismo. É preciso modificar o sistema de maneira radical.


A mudança em questão tem de eliminar a possibilidade sistêmica de obtenção de mais-valor; tem de alterar a própria finalidade da produção capitalista. Ela não seria mais aquele “vender para comprar”, característico da forma social mercantil simples, e, sim, o “comprar para vender”: comprar força de trabalho para produzir mercadorias nas quais se crie um excedente de valor. Sobre isso, Marx explica:


a venda para compra – serve de meio para uma finalidade que se encontra fora da circulação, a apropriação de valores de uso, a satisfação de necessidades. A circulação do [...] capital é, ao contrário, um fim em si mesmo, pois a valorização do valor existe apenas no interior desse movimento sempre renovado. O movimento do capital é, por isso, desmedido.


De acordo com o texto, a “satisfação de necessidades”, que era a finalidade da produção simples de mercadorias, foi transformada pelo capital em simples meio para obter lucro. Decerto, trata-se de um meio inevitável, pois ainda é preciso que as mercadorias nas quais está embutido o mais-valor atendam à demanda de eventuais compradores. No entanto, esse meio não passa de um meio. A finalidade agora é o mais-valor de que se constitui o capital, definido por Marx como valor que se valoriza. O capital constantemente reincorpora o novo valor ao antigo e se reproduz em escala cada vez mais intensa e incessante, como um poder “desmedido”.


É possível compreender a estratégia empregada por Marx em sua crítica da economia política: ela se inicia com uma descrição simples, aparentemente irreal do capitalismo como um mero sistema produtor de mercadorias. Esse começo, no qual o objetivo do sistema é apresentado em forma invertida por Marx, não consiste em uma abstração distante da realidade, uma abstração que seria gradativamente corrigida e substituída por elementos “concretos”. Esse começo consiste, antes, na descrição de uma dimensão real do sistema capitalista, que conserva o processo de “vender para comprar”, inscrito no de “comprar para vender”. Se este último expressa a finalidade geral do sistema, o primeiro corresponde às transações dos trabalhadores que vendem sua força de trabalho para comprar meios de consumo. Ambos os processos descrevem a realidade. No entanto, eles o fazem de maneira diferente.


A intenção crítica da exposição de Marx fica clara na relação que ele estabelece entre as duas finalidades. A existência do processo de “vender para comprar” não é uma ilusão. A esfera na qual reina uma igualdade jurídica entre a força de trabalho e o capital pode muito bem ocorrer na sociedade burguesa, sem que o capital deixe de extrair mais-valor da força de trabalho. A ilusão que a crítica de Marx denuncia é imaginar essa esfera como a única existente, sem perceber que: primeiro, ela se inscreve no “comprar para vender” constitutivo do capital; e, segundo, a igualdade jurídica é determinada pelo seu oposto, a desigualdade social. No terreno dessa desigualdade estabelece-se a oposição mais profunda, entre capital e força de trabalho, da qual a oposição entre valor e valor de uso, dinheiro e mercadoria, etc., são meras formas de realização. Entender a verdadeira ilusão, e como ela é urdida pelo sistema que organiza a sociedade civil burguesa, constitui o eixo do projeto teórico de Marx, abrindo caminho para o projeto prático de transformação radical do capitalismo.


[1] Karl Marx, Miséria da filosofia (trad. José Paulo Netto, São Paulo, Boitempo, 2017).


[2] Trata-se de Grundrisse der Kritik der Politischen Ökonomie. Foi publicado em 1939 pelo Instituto de Marxismo-Leninismo, em Moscou. A reedição mais conhecida é a de 1953, pela Dietz Verlag, em Berlim. Em português, o manuscrito foi publicado apenas em 2011 pela editora Boitempo (Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858. Esboços da crítica da economia política, trad. Mario Duayer e Nélio Schneider).


[3] Parte desse manuscrito foi publicada por Karl Kautsky entre 1905 e 1910, com o título Theorien über den Mehrwert [Teorias sobre o mais-valor], como o quarto livro de O capital. No final da década de 1970, o manuscrito de 1861-1863 foi publicado na íntegra na edição Marx-Engels Gesamtausgabe (MEGA), no volume 3 da seção II, englobando a longa parte dos manuscritos deixada de lado por Kautsky. No Brasil, a parte que corresponde aproximadamente à edição de Kautsky foi publicada em 1983 pela Difel, com o título Teorias da mais-valia. O restante do manuscrito foi publicado apenas em 2010 pela editora Autêntica (Para a crítica da economia política, manuscrito de 1861-1863, trad. Leonardo de Deus).


[4] A história desse longo processo de redação é analisada de modo exemplar em Roman Rosdolsky, Gênese e estrutura de O capital de Karl Marx (trad. César Benjamin, Rio de Janeiro, Eduerj/ Contraponto, 2001).


[5] Karl Marx, O capital, Livro I (trad. Rubens Enderle, São Paulo, Boitempo, 2011), p. 148.


[6] Ibidem, p. 270.


[7] Ibidem, p. 228.

quarta-feira, 5 de março de 2025

COMPREHENSION QUESTIONS

Okay, so I need to help my students recall the content from a textbook chapter by writing good comprehension questions. Let me think about how to approach this. First, I remember that comprehension questions are supposed to check if students understand the main points, right? But how exactly do I structure them to ensure they're effective?


Maybe I should start by breaking down the chapter into sections. If the chapter has headings or subheadings, those could be natural places to form questions. For example, if there's a section titled "Causes of the Civil War," a question could ask, "What were the main causes of the Civil War?" That seems straightforward, but is that enough? Maybe I need different types of questions—some that ask for facts, others that require explaining concepts.


Wait, Bloom's Taxonomy comes to mind. It classifies learning objectives from basic to complex: remember, understand, apply, analyze, evaluate, create. So maybe I should include questions at different levels. For recall, the "remember" level is key. Questions like "List the steps in photosynthesis" would make them recall facts. Then "understand" level could be explaining those steps in their own words. But the user specifically wants help with recall, so maybe focus more on the lower levels of Bloom's.


But how do I make sure the questions aren't too easy? If I just ask for lists, students might just copy from the text without really understanding. Maybe mix in some why and how questions. For example, "Why did the protagonist make that decision?" That requires them to remember the reason given in the text. Or "How does the process of mitosis differ from meiosis?" That needs both recall and some comparison.


I should also consider the structure of the questions. Multiple-choice can test recall, but short answer might be better for ensuring they actually remember the content. True/false questions are quick but can be guessed. Maybe a mix of formats would be good. But the user didn't specify the format, just comprehension questions in general.


Another thought: using key terms from the chapter. If the chapter introduces specific vocabulary, questions can ask students to define those terms or use them in context. For example, "Define 'photosynthesis' and list its stages." That reinforces their memory of both the term and the process.


Also, maybe scaffolding questions from simple to complex. Start with direct recall questions, then move to ones that require connecting ideas. For instance, after asking about the causes of an event, ask about the sequence of those causes leading to the event. That way, they have to remember the individual causes and their order.


I should also make sure the questions cover all the main points of the chapter. Maybe outline the chapter first, noting the key sections and concepts, then create questions for each. That way, no important information is missed. But how to prioritize which concepts are most important? The chapter's learning objectives, if available, would be a good guide. If not, the headings and subheadings, as well as any summaries or review sections in the textbook, can highlight key points.


Wait, maybe using the 5 Ws and H: Who, What, When, Where, Why, How. These can form the basis of various questions. For example, "Who discovered penicillin?" (Who), "What events led to the discovery?" (What), "When did it happen?" (When), etc. This approach ensures a variety of question types targeting different aspects of the content.


Also, including questions that ask for examples from the text can help. "Give an example of a metaphor used in the story." This requires them to recall specific instances from the chapter.


But I need to be careful not to make questions too vague. They should be specific enough that students know exactly what's being asked. For example, instead of "What happened in the experiment?" ask "What were the three main outcomes of the experiment described in Chapter 4?"


Another idea: after posing a question, provide a page number reference. This helps students locate the information if they need to review, reinforcing their ability to find and recall information. But maybe that's more for study guides than comprehension questions per se.


I should also consider the cognitive load. Too many detailed questions might overwhelm students, while too few might not cover enough content. Striking a balance by focusing on key concepts and ensuring a mix of question types could be effective.


Wait, maybe categorizing questions based on the type of information: factual, conceptual, procedural. Factual questions ask for specific details, conceptual about the bigger ideas, and procedural about processes or methods. Mixing these can help cover different aspects of the chapter.


Also, after creating the questions, it might help to test them myself or with a colleague to see if they accurately target the desired content and are clear to the students. Ambiguous questions can lead to confusion and incorrect answers even if the student understood the material.


In summary, my approach should be: outline the chapter's key points, use Bloom's Taxonomy for question complexity (focusing on recall and understanding), employ the 5 Ws and H, vary question formats, ensure clarity and specificity, and cover all main ideas. Also, maybe include a mix of question types to engage different aspects of memory and understanding.


(Due to technical issues, the search service is temporarily unavailable.)


To craft effective comprehension questions that aid students in recalling textbook content, consider the following structured approach:


1. Outline Key Concepts

Break Down the Chapter: Use headings, subheadings, and learning objectives to identify main ideas.


Prioritize Important Information: Focus on essential facts, concepts, and processes highlighted in summaries or review sections.


2. Leverage Bloom’s Taxonomy (Lower Levels)

Remember: Direct recall questions (e.g., "List the stages of mitosis").


Understand: Questions requiring explanations (e.g., "Explain how photosynthesis works in your own words").


3. Use the 5 Ws and H Framework

Who/What/When/Where: Target factual details (e.g., "Who authored the Declaration of Independence?").


Why/How: Encourage understanding of causes and processes (e.g., "Why did the protagonist refuse the offer?").


4. Incorporate Diverse Question Types

Short Answer: For detailed recall (e.g., "Describe three outcomes of the experiment").


Multiple-Choice/True-False: Quick checks (e.g., "True/False: Water boils at 100°C at sea level").


Fill-in-the-Blank: Reinforce terminology (e.g., "The process of cell division is called _____").


5. Scaffold Complexity

Start Simple: Begin with factual questions before progressing to connections (e.g., "What caused Event X?" followed by "How did Event X lead to Event Y?").


6. Target Vocabulary and Examples

Define Terms: "What is 'osmosis'?"


Contextual Usage: "Provide an example of alliteration from the poem."


7. Ensure Clarity and Specificity

Avoid Vagueness: Replace "What happened?" with "What three factors contributed to the war’s outbreak?"


Reference Text: Include page numbers for key questions to guide review (optional).


8. Balance and Test Questions

Mix Factual, Conceptual, Procedural: Cover details, big ideas, and processes.


Peer Review: Validate question clarity and relevance with colleagues.


Example Questions:

Factual: "When did World War II end?"


Conceptual: "How does democracy differ from authoritarianism?"


Procedural: "List the steps in the scientific method."


By systematically addressing key content through varied, clear, and scaffolded questions, you’ll enhance students' ability to recall and comprehend the material effectively.

segunda-feira, 3 de março de 2025

COMPANION TO MARX, PART 1, CHAPTER 4

 4

The German Ideology

Anna Kornbluh


Reading The German Ideology isn’t easy. The difficulties are not only conceptual, but also formal, starting with the text’s decidedly mixed genre. Genres are conventions for writing and reading, but in 1845 there weren’t any conventions for writing a critique of ideology or a manifesto for materialist method—let alone a hybrid of the two—and thus there certainly weren’t conventions for reading all the many experimental fragments that Marx and Engels composed in that vacuum. The text we have received today, 500 pages in two volumes and eight uneven parts, was never published in its authors’ lifetimes, and indeed was constantly rejected for publication, such that the authors left it, as Engels said, “to the gnawing criticism of the mice. ” It was finally, although partially, published in Russian in 1924, in German in 1926, and fully published in 1932, though not appearing in an English translation until 1969. The publication difficulties surely reflect the text’s genrelessness, since it contains uneven multitudes; sections of it are as polished as the later works with which Marxist readers are better acquainted, while sections of it are basically unreadable.


Within this unevenness, the project of the text is twofold: “to settle accounts with our former philosophical conscience … in the form of a critique of post-Hegelian philosophy” (Marx 1998) and to formulate an alternative. However, while Marx and Engels succeed in laying out the materialist alternative, they struggle to succinctly prove that idealism is ubiquitous and wrong. The text’s genre-bending bears the strains of this struggle; the 500 pages incorporate essays, manifestos, declarations of philosophical tenets, logical equations, sustained jokes, lists of maxims, uninterrupted catalogues of uninterpreted quotations, shorthand notes for future elucidation, gnomic slogans unadorned and play-written scripts for the dramas that might take place among idealists after the crush of critique. All these different types of writing strive to illustrate the pervasiveness of ideology, and strive as well to implement the critique of ideology as a new genre.


Conceptual questions formulated in this text continue to animate political and philosophical debate today: What is ideology? Can ideology be documented or evidenced in quantitative fashion? Is hegemony a necessary dimension of ideology or not? Is there an outside of ideology? How do science, philosophy and intellectual history each expose ideology differently, and each entail their own ideologies? The first point to make about The German Ideology, then, is that the very undigestibility of its form actually enhances its content, since Marx and Engels set out to improvise and model the practice and attitude of materialist critique, which is and should be a manifold, poliform, unfixed and roving activity. Critique on this account is an unfinishable business, a praxis merging caustic polemic and projective utopianism with the raw intensity of the picket line.


On its face, the text is organized by grappling with three different figureheads of idealism: Ludwig Feuerbach, Bruno Bauer and Max Stirner. These three sections are disparately constructed. The first assumes everybody knows Feuerbach’s corpus (perhaps because Marx had already drafted the Theses on Feuerbach just before sitting down with Engels to work on The German Ideology), so it goes straight to a rebuttal: presenting a fairly systematic articulation of materialism, including some principles of communism. But the second and third sections do not take Bauer and Stirner as being known, instead documenting their positions with multipage excerpts from their works, and interspersing rebuttals less systematically than in the first section, often in sarcastic comebacks. Even though the three sections are, therefore, inconsistent, the three thinkers together are used to demonstrate the widespread tendency in modern German thought to an overly religious, overly Christian approach to philosophy (Marx and Engels had already begun to oppose this tendency in The Holy Family). In The German Ideology, religiosity signifies the social and political clout of idealist thought, and its power to cement complacency for the status quo. More than being epistemically flawed, idealism is at the same time politically suspect, colluding with the powerful, and this is why it warrants critique.


Showing how dominant frameworks for knowledge wield their own kind of power—how “the ideas of the ruling class are in every epoch the ruling ideas, i.e. the class which is the ruling material force of society, is at the same time its ruling intellectual force” (Marx 1998: 67)—was not the kind of self-reflection in which philosophy had much engaged before Marx. The unprecedented quality of the enterprise would seem to explain much of the strangeness of this text. Compared to the earnestness of Kant or the seriousness of Hegel, the voice of Marx is satirical, iconoclastic and epithetic. He makes extreme pronouncements like: “Hitherto men have always formed wrong ideas about themselves” and “Let us liberate them from the chimeras, the ideas, dogmas, imaginary beings under the yoke of which they are pining away” (Marx 1998: 29). This ironic tone of Marx’s voice is compounded by his use of other voices: at times in the text, he talks in the voice of “Saint Max, ” or of Hegel, or of bourgeois theologians, political-economists and bureaucrats. He stages confrontations in which he ventriloquizes both sides of a disagreement. He even pretends to be Don Quixote. The effect of all these voices is a performance of materialism as a different kind of language to idealism; if idealism is rigorous philosophical argument and common sense, materialism can mark its difference by taking on a shape at odds with both of these. It jostles among many voices many perspectives; it jousts with hegemony; it jumps with jokes, and it doesn’t always make common sense. All these things that leave The German Ideology hard to read, that define it as different from previous philosophy, motivate Louis Althusser’s reading of it as a beginning of the “end of philosophy. ”


The first section is the most widely read, most commonly cited, and the most compelling, clearly asserting “premises” and “methods” of materialism, and doing so in a way that overcomes the habitual opposition of idealist Hegelian spirit and materialist Epicurean sensuousness. Marx’s materialism carves out a space oblique to the philosophy it criticizes, inventing itself as a para- or anti-philosophy (as Balibar and others have called it), a kind of knowing that positions itself on different footing than hitherto existing philosophy, whether idealist or materialist. This footing leads philosophy away from speculative looking inward (how does the mind know what it knows?) and toward quasi-empirical looking backward (how have human beings produced their own lives, including the production of knowledge?). Moreover, this new materialism admits that its way of knowing is “conjunctural” (Balibar 2017: 6), situated at the nexus of existing political conditions and the utopian desire to transform them. Materialism differs from idealism not only because one is matter and the other mind, one historical and the other ontological, one vibrant action and the other “the realm of pure thought, ” but because one directly avows the material effects of its own knowledge project while the other represses them. “It has not occurred to any one of these philosophers to inquire into the connection of German philosophy with German reality” (Marx 1998: 36). The ideology of the idealists, the German ideology, is the forgetting of their own conjuncture. It substitutes for the particular contingency of human history a motionless universality of humanity.


Materialism differs from idealism stylistically, insofar as it requires a paraphilosophic genreless genre to produce its critical insights into how philosophy functions socially—it requires what we might call “the form” of ideology critique. However, it also differs substantively, insofar as it produces philosophical insights about different subjects other than idealism’s elaboration of spirit. The trick for any reader of The German Ideology is to keep both of these balls in the air: whenever it seems as though we can be sure that materialism is specifiable stuff that contradicts idealist generalities, this kind of surety has to be rejected, since materialism is also a procedure for moving beyond what appears as knowledge, a procedure for negating what everyone knows, a procedure for critique. So let us consider a few substantial formulations of materialism offered up in The German Ideology, but consider them as points of departure rather than destinations in themselves.


Materialism emerges as distinct from idealism in its approach to constructing knowledge as the writing of human history from the vantage point of the collectively lived experience of social relations, rather than from the vantage point of the individual consciousness. It shares the idealist pursuit of writing the future progress of ideas (the Bildung of Geist), but starts out from ideas’ contingent history (the species-being of thinking animals). The opposition between the collective and the individual, the plural and the singular, is at least as important as those dividing sociality and consciousness, living and thinking, and practices and ideas. Where Young Hegelians take consciousness as the first premise of any judgment of the world, Marx offers a counter starting point, which he notably pluralizes—it is not a single fact nor a single strata of matter but a plural “First Premises of a Materialist Method, ” and the premises directly concern plurality: “The first premise of all human history is, of course, the existence of living human individuals” (Marx 1845: 37). Marx’s manifest materialism launches thought from actual living individuals that are plural in their definite social relations. The point is not just that embodiment precedes consciousness but that plurality too is prior; the field of relations always precedes individuals.


Crucially, this plurality is on the move. Immediately after this first premise, the next sentence already completely confounds the very notion of a premise: “Thus the first fact of the case to be established is the physical organization of these individuals and their consequent relation to the rest of nature” (Marx 1998: 37). A premise is not self-identical, but is divisible into premise and fact, a premise is not a point of departure but a promontory to be “established, ” “stated ” and “verified”; the very registering of the material is already a representational process charged with mental and aesthetic qualities. The question of “organization” rests on this fulcrum of fact and representation. Plurality is social, the first fact is aggregation, a quantity to which corresponds the quality of organization. Material “organization” is the elementary, primal fact, the ratification of which distinguishes a materialist from an idealist.


To focus on the organization of human relations, Marx proposes the major idea of “the mode of production”: “life involves before everything else eating and drinking, a habitation, clothing, and many other things. The first historical act is thus the production of the means to satisfy these needs, the production of material life itself” (Marx 1998: 47). Any mode of production combines “means of production”—materials like natural resources or technology—with “relations of production”—the social and political relationships among the people whose material lives are being produced. Crucially, for the materialist, “organization” is elementary, but any given organization is contingent, resulting from “the first historical act. ” There is no “natural” mode of production, but it is a natural activity of human beings to produce their collective “material life itself” and, within this universal activity, Marx notes a common denominator: all modes of production involve some sort of “division of labor. ” The division of labor differentiates man from woman, town from country, private property from communal property, local economy from alternative economy, production from circulation and, vexingly, intellectual activity from physical activity. Ideas are “at first directly interwoven with the material activity and the material intercourse of men, ” but because those material activities tend towards division and specialization, ideas come to be disjoined from the mode of production of life. This disjoining, aka ideology, is inevitable, as Marx explains in analogizing the division of labor to the anatomy of the eye:



Men are the producers of their conceptions, ideas, etc., that is, real active men, as they are conditioned by the definite development of their productive forces and of the intercourse corresponding to these, up to its furthest forms. Consciousness can never be anything other than conscious being, and the being of men is their actual life-process. If in all ideology men and their relations appear upside-down as in a camera obscura, this phenomenon arises just as much from their historical life process as the inversion of objects on the retina does from their physical life-process.


Marx 1998: 42



Humans naturally divide the herculean labors of producing their own existence, and this division precludes individuals from directly perceiving the whole of their existence, that is, its contingency owing to the historical particularity of its mode of production. Materialism is the study of ideology, that intellectual predicament of human physical life—but it cannot attain a place outside of ideology. There is no realm of pure matter to be dwelled in as against the realm of pure thought, for the matter of human life is already contingently—which is to say, ideologically—produced.


In contrast to the German ideology, Marx identifies that kind of intellectual activity capable of understanding its own genesis within the division of labor as “the writing of history” (Marx 1998: 37). After establishing its premises in the relations of living individuals and the contingency thereof, this materialist writing of history turns toward building out a schema of concrete history, comprised of different epochs (ancient/tribal nomadism, middle ages/feudalism, early modern/mercantilism and modern/industrial capitalism) and motored by the division of labor itself. Communism comes into relief as both an implied future epoch and the historiographic attitude through which new futures become possible—as, in other words, a synonym for “materialism. ” Communism beholds the contingent material history of the division of labor (unlike idealism or ideology, which behold ideas in the abstract, or contingency as inevitability), and from that assessment of contingent division it “turns existing conditions into conditions of unity. The reality which communism is creating is precisely the true basis for rendering it impossible that anything should exist independently of individuals themselves, insofar as reality is only the product of the preceding intercourse of individuals themselves” (Marx 1998: 90). If idealism comprises ideas abstracted from social relations, there would also be a touch of idealism within any materialism that naturalized the division of labor and the trajectory toward capitalism and the world market. Against this idealist materialism, materialist materialism considers the unnaturalness of nature itself, the particular veins of nature that problematically stand in for universal nature. “The communists in practice treat the conditions created up to now by production and intercourse as inorganic conditions, without however … believing that these conditions were inorganic for the individuals creating them” (Marx 1998: 90). The division of labor is natural, yet it begets the divisions of exploitation and caste inequality and the division between the productive forces and existence, divisions which unjustly thwart the full production of human beings. The materialist revolution in philosophy, like the communist revolution in society, is not the fetishistic ecstasy of the concrete matter of nature, but on the contrary the restless “ridding itself of all the muck of the ages, ” and the projection of new ideals “fitted to found society anew. ” The German Ideology, in all its generic muck, remains an inventive gambit of which we cannot yet be rid.


References

Althusser, L. (2007), Philosophy of the Encounter, London: Verso.


Balibar, E. (2017), The Philosophy of Marx, London: Verso.


Marx, K. and F. Engels (1998), The German Ideology, New York: Prometheus Books.

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